A primeira cidade construída pelos muçulmanos no Egito foi Fustat, também conhecida como Al-Fustat ou Misr al-Fustat. Sua fundação remonta ao início do período islâmico, especificamente ao ano de 641 d.C. Fustat estava localizada nas margens orientais do rio Nilo, ao sul do atual Cairo, na região que agora é conhecida como Cairo Velho. A fundação de Fustat ocorreu durante o Califado Rashidun, o primeiro califado islâmico, sob o comando do governador Amr ibn al-As.
A escolha do local para a construção de Fustat foi estratégica e proporcionou diversas vantagens. Sua proximidade com o rio Nilo facilitava o transporte e o acesso a recursos vitais, como água e alimentos. Além disso, a localização estratégica de Fustat permitia o controle eficaz das rotas comerciais entre o Egito e outras regiões, contribuindo para sua prosperidade econômica.
Fustat rapidamente se tornou um importante centro urbano e comercial no Egito islâmico. A cidade abrigava uma população diversificada, composta por árabes, egípcios nativos e comunidades de outras origens étnicas e religiosas. O comércio floresceu em Fustat, com mercadores trazendo uma variedade de produtos de diferentes partes do mundo islâmico e além.
Durante os primeiros séculos de sua existência, Fustat desempenhou um papel crucial na administração e na governança do Egito islâmico. Serviu como capital administrativa e centro político do país sob os governantes muçulmanos. A cidade também foi um importante centro cultural e religioso, abrigando mesquitas, escolas, bibliotecas e outros locais de aprendizado e devoção.
No entanto, a história de Fustat também foi marcada por períodos de instabilidade e conflito. A cidade foi frequentemente alvo de invasões e conflitos militares, tanto internos quanto externos. No século IX, Fustat foi saqueada e parcialmente destruída durante uma revolta popular conhecida como a Revolta dos Árabes Negros.
Apesar dos desafios, Fustat continuou a ser uma cidade importante ao longo da Idade Média islâmica. Sua influência se estendeu além das fronteiras do Egito, contribuindo para o desenvolvimento cultural, intelectual e econômico do mundo islâmico em geral. No entanto, ao longo do tempo, o centro de gravidade político e administrativo do Egito mudou para outras cidades, como Cairo, que eventualmente superou Fustat em importância.
A cidade de Fustat não existe mais hoje em sua forma original. Com o passar dos séculos, a urbanização e o desenvolvimento gradualmente engoliram suas ruínas. No entanto, as escavações arqueológicas realizadas na região revelaram vestígios importantes da antiga cidade, fornecendo insights valiosos sobre sua história e legado. Fustat continua a ser lembrada como uma das primeiras e mais significativas cidades islâmicas no Egito e no mundo árabe.
“Mais Informações”

Claro, vamos explorar mais detalhes sobre a cidade de Fustat e seu papel na história do Egito islâmico.
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Estrutura Urbana e Arquitetura:
Fustat foi planejada como uma cidade islâmica típica, com uma rede de ruas organizadas em um padrão regular. A arquitetura da cidade refletia as influências culturais e estilísticas do período islâmico, com a presença distintiva de mesquitas, palácios, mercados (souqs), banhos públicos (hamams) e residências. As mesquitas eram os centros religiosos e sociais da cidade, muitas vezes adornadas com minaretes altos e elaborados, como a Mesquita de Amr ibn al-As, uma das mais antigas do Egito. -
Vida Cultural e Intelectual:
Fustat era um centro vibrante de atividade cultural e intelectual. As escolas islâmicas (madraças) e bibliotecas abrigavam estudiosos, cientistas e filósofos que contribuíam para avanços significativos em diversas áreas, como medicina, matemática, astronomia e filosofia. A cidade era conhecida por sua rica tradição literária e artística, com poetas, escritores e artistas contribuindo para a cena cultural florescente. -
Comércio e Economia:
Como mencionado anteriormente, Fustat era um importante centro comercial, beneficiando-se de sua localização estratégica nas rotas comerciais entre o Egito e outras regiões. Os mercadores traziam uma variedade de bens, incluindo especiarias, seda, tecidos, metais preciosos e produtos agrícolas. O comércio internacional também desempenhava um papel crucial na economia de Fustat, com navios que chegavam ao porto de Alexandria trazendo mercadorias de todo o mundo islâmico, Europa e Ásia. -
Diversidade Étnica e Religiosa:
Fustat era habitada por uma população diversificada, composta por árabes, egípcios nativos, bem como por comunidades de outras origens étnicas e religiosas, como gregos, coptas, judeus, sírios e persas. Essa diversidade étnica e religiosa contribuiu para a riqueza cultural e social da cidade, com diferentes grupos coexistindo e interagindo em um ambiente urbano dinâmico. -
Eventos Históricos Significativos:
Ao longo de sua história, Fustat testemunhou uma série de eventos históricos significativos que moldaram o curso do Egito islâmico. Além da Revolta dos Árabes Negros no século IX, a cidade foi palco de várias dinastias e governantes islâmicos, bem como de conflitos internos e externos, incluindo invasões estrangeiras e revoltas populares. -
Declínio e Desaparecimento:
Apesar de sua importância contínua ao longo da Idade Média islâmica, Fustat eventualmente perdeu sua posição como principal centro urbano do Egito para Cairo. O crescimento e a expansão da nova capital, fundada em 969 d.C. pelo governante fatímida Jawhar al-Siqilli, levaram ao declínio gradual de Fustat. Com o tempo, as ruínas da antiga cidade foram gradualmente engolidas pelo desenvolvimento urbano e desapareceram da paisagem.
Em resumo, Fustat foi uma cidade fundamental na história do Egito islâmico, desempenhando papéis importantes como centro urbano, político, cultural, religioso e comercial. Sua influência se estendeu além das fronteiras do Egito, contribuindo para o desenvolvimento e a disseminação da civilização islâmica ao longo dos séculos. Embora hoje suas ruínas estejam enterradas sob as modernas metrópoles egípcias, o legado de Fustat vive através dos registros históricos e das descobertas arqueológicas, continuando a inspirar estudiosos e entusiastas da história islâmica.

