BUGATTI Type 55 (1932-1935): A Obra-Prima da Era dos Roadsters
O Bugatti Type 55 é uma verdadeira lenda entre os automóveis clássicos. Produzido entre 1932 e 1935, ele marcou uma era de ouro para a marca francesa e se destacou como uma das primeiras obras de Jean Bugatti, filho do renomado Ettore Bugatti. Com um design inovador, desempenho impressionante e várias melhorias técnicas, o Type 55 continua a ser uma das criações mais valiosas e desejadas por colecionadores ao redor do mundo.
Origem e História
A década de 1930 foi um período de ouro para a Bugatti. A marca já era sinônimo de carros de alto desempenho e vitórias em corridas de grande prestígio, como as corridas de Grand Prix. No entanto, o Type 55 representou um passo significativo em direção a uma abordagem mais refinada e luxuosa, mesclando o desempenho com o estilo.
Em 1931, após muitas corridas bem-sucedidas com modelos como o Type 43, Jean Bugatti, que já demonstrava talento e criatividade em seu trabalho, pressionou seu pai, Ettore Bugatti, para desenvolver um novo roadster que fosse um substituto digno para o Type 43. Apesar da relutância inicial de Ettore, que preferia manter a confiabilidade e as características dos motores tradicionais, Jean convenceu-o a aceitar uma nova proposta, com um motor de cilindrada superior e características que se tornariam pioneiras no mercado de automóveis.
O resultado foi o Bugatti Type 55, apresentado pela primeira vez no Salão de Paris em 1931. A aceitação do público e dos críticos foi imediata, consolidando o modelo como um ícone do automobilismo da época.
Design e Estilo
O Type 55 apresentou um design que capturava a essência do estilo Bugatti. A famosa grelha em formato de cavalo, característica marcante da marca, estava presente, com faróis suportados por uma barra horizontal cromada, ao estilo arcos, que traziam o logotipo EB emblemático.
Uma das características mais notáveis era a ausência de portas, algo que não era um problema na época. Os ocupantes entravam no carro através de um sistema de degraus embutidos, com dois assentos individuais dispostos lado a lado. A posição de condução era baixa, proporcionando uma experiência de pilotagem mais esportiva e envolvente.
Os painéis de instrumentos, em vez de estarem posicionados na frente do motorista, estavam centralizados no painel, uma ideia inovadora que Jean Bugatti implementou e que se tornou uma marca registrada para os futuros modelos da marca.
Outro detalhe marcante era o uso das rodas com raios de alumínio polido em oito falanges, algo incomum na época, quando a maioria dos carros ainda utilizava raios de arame. O design da traseira curta proporcionava ao Type 55 um visual aerodinâmico, mas ao mesmo tempo, limitado a capacidade de carga — o pequeno porta-malas era inadequado para viagens mais longas.
Motorização e Desempenho
O motor do Type 55 era um verdadeiro feito de engenharia. Inicialmente, Ettore Bugatti rejeitou a ideia de um motor de duplo comando, preferindo manter a configuração tradicional. No entanto, Jean insistiu em uma configuração mais potente e moderna, e conseguiu convencer seu pai a adotar o motor do Bugatti Type 51, que competia com sucesso no cenário de Grand Prix.
O motor do Type 55 era um seis cilindros em linha com 2,3 litros de cilindrada, equipado com um sistema de supercompressão, o que lhe conferia impressionantes 130 cavalos de potência. Isso era uma grande melhoria em relação aos carros de sua época, com potência superior à de muitos modelos contemporâneos. Com transmissão manual de quatro marchas, o Type 55 alcançava uma velocidade máxima de 180 km/h (112 mph), um feito notável para os anos 1930.
Os freios eram de tambor, tanto na frente quanto na traseira, uma característica comum na época, mas que impunha desafios em termos de desempenho nas estradas mais rápidas e sinuosas.
Legado e Popularidade
O Bugatti Type 55 não foi apenas um carro de corrida, mas um carro de luxo e performance, com uma forte conexão com o automobilismo. Seu preço alto e sua raridade ao longo dos anos ajudaram a moldar sua lenda. Ele foi produzido em números limitados, com cerca de 38 exemplares construídos, e hoje, cada unidade se tornou uma peça cobiçada por colecionadores de automóveis clássicos.
A combinação do desempenho técnico e do design impecável transformou o Type 55 em um dos modelos mais valiosos da Bugatti. Seus descendentes diretos, como o Type 57, também herdam parte do legado inovador iniciado por Jean Bugatti e perpetuado pela marca.
Hoje, poucos exemplares sobrevivem em condições originais e restauradas, com valores que chegam a cifras milionárias em leilões internacionais. O Type 55 continua a ser um símbolo de status e excelência no mundo dos automóveis clássicos.
Conclusão
O Bugatti Type 55 (1932-1935) foi muito mais do que um roadster de alto desempenho. Ele representou a transição para uma era mais sofisticada de automóveis, onde o desempenho e o luxo caminhavam lado a lado. Com o design inovador e o motor supercharged, o Type 55 não apenas consolidou a marca Bugatti como uma referência em automóveis de alta performance, mas também deixou um legado duradouro que ainda hoje é celebrado pelos entusiastas e colecionadores. A visão de Jean Bugatti e a determinação de Ettore formaram uma combinação que resultou em um ícone atemporal da história automotiva.

